Macarronis/ Mentawai/ Indonésia
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sexta-feira, 12 de junho de 2009

Skate or Die

Antes de vir morar em Porto Alegre, há 15 anos, eu tive um sonho. Estava pedalando a minha bike numa cidade desconhecida com construções que remetiam meu pensamento a julgar que eu estava no futuro. Parei nu orelhão (é ainda assim eu achava que estava no futuro) e nele tinha uma lista telefônica (a projeção do futuro no passado ainda se apegava a coisas improváveis) lá eu encontrava o telefone de um amigo gaúcho/ Liguei para o cara e dei as coordenada. Estou aqui numa rua do lado de um prédio que parece duas rampas de skate viradas. Era o prédio do Centro Administrativo de Porto Alegre. Um ano depois eu me mudava de mala e cuia para a capital gaúcha. A visão lúdica daquele prédio não estava somente em minha mente e nos meus sonhos

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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Reflexão sobre o dia das mães

Minha relação com minha mãe sempre foi muito difícil. Não sei explicar o motivo, talvez tenha viajado em varios, mas o mais objetivo deles é nossa difícil comunicação, valores, visões, entendimento das coisas do mundo. Somos realmente diferentes e eu saí de dentro dela. Não é louco isso?

Nossa relação melhorou quando saí de casa, ganhei o mundo longe do teu ventre, dos teus olhos e dos teus cuidados e no auge da independência a pergunta: porque querer tanto caminhar sem a mão dela? As mães acham que somos tão dependentes delas. E pensamos isso quando esquecemos que durante um bom tempo fomos totalmente dependente delas. E assim é a minha relação de filho pra mãe, um tanto que conflituosa como tantas outras mas com muito amor a ela.

Pensem nas mães, olhem para elas, observem-nas, vejam como se comportam diante da prole, como se dedicam e como se doam. Aos filhos rebeldes a reflexão.

MOTHER

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domingo, 3 de maio de 2009

Bahia uma paixão

Lembro-me da minha infância, minha mãe costurando o número quatro na minha primeira camisa do Esporte Clube Bahia, meu time de coração. Meu pai não gostava de ir ao estádio, mas uma vez fomos em família torcer pelo tricolor. Uma multidão estava presente na Fonte Nova. Morávamos a duas quadras do templo sagrado.

Neste domingo a final do campeonato baiano traz uma esperança a nação tricolor. E em homenagem a ela, resolvi postar este vídeo que um torcedor publicou no Youtube. Espero que a data deste domingo seja a retomada do Bahia ao seu lugar merecido, onde só está quem nasceu para vencer. Bora Baêêêêêêaaaaaaa!!!!!

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Persiga o seu sonho



Os Beatles após "Imagine" lançaram "The dream it's over". O sonho acabou??? Não. O sonho não acaba, assim como só quem está satisfeito é quem está morto. O ser humano é realmente engraçado nesta questão, and can't get no satisfaction, desabafaram os Roling Stones. O certo é que o sonho move o ser humano, mantem sua chama acesa. Há os que se contentam somente com a existência dele e há aqueles que o desafiam a realizá-lo. Eu sou um realizador. Conquistei todos os meus sonhos. Sempre sonhei o possível é verdade, mas sempre no momento do sonho ele era algo muito distante para mim. Por isso eu digo: persiga o seu sonho, realize-o, busque a felicidade. Quando encontrá-la verás que muitos se incomodarão com ela, mas não serápor inveja e sim por falta de coragem. O caminho do risco é o sucesso preconizava raul Seixas.
Estou aqui na casa que sonhei um dia ter num lugar que quis próximo ao mar e as ondas.
A minha casa
my home
sweet home'
Forget about it

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domingo, 4 de janeiro de 2009

Teu nome será Pedro



Nasceu no dia 19 de dezembro de 2008 no hospital Moinhos de Vento, às 8h51 da manhã, Pedro Salvador Filgueiras. Seu peso ao nascer foi de 3,295kg, 50cm e gritando muito. Aliás, gritando não, berrando, como um bezerro. Uma goela sem tamanho.

Pedro é meu primeiro filho homem. Tenho uma filha chamada Luiza. Os dois formam um casal lindo e representam a miscigenação do pai, descendente de índios espanhóis e portugueses com a mãe, descendente de italianos.

Apesar de nascer em Porto Alegre, Pedro é torcedor do Bahia...hehhehe por imposição do pai, mas deve simpatizar pelo tricolor gaúcho.

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Feliz 2010

O jeito é desejar um feliz 2010 porque 2009 os magos da economia já disseram que não será bom. Liquidaram o ano antes mesmo dele começar.

Durante os últimos anos ouvi esses mesmos caras e vários de seus seguidores, muitos deles até meus amigos ou mesmo conhecidos, dizer que os melhores investimentos para o nosso dinheiro estava na bolsa de valores. Muitos deles viram seu dinheiro virtual, de um crescimento mínimo de 60% nos últimos anos cair para mais de 40% em uma semana, 10% na outra e ao final não ter rendido nada. Aqueles mesmos que preconizam os passivos e os ativos nos investimentos, analisam os riscos de tudo e qualquer ação da vida profissional e ou pessoal sua e de quem não estivesse no jogo, agora estão perplexos e céticos. Forget about it....

Tudo na verdade um monte de asneiras!!!


É sábio sim tanto para a vida pessoal como profissional ou até mesmo para as estratégias de marketing contar com o inesperado, com as armadilhas de análises de comportamento e hábitos de compra e consumo. Tudo é ou não é, pode ser. Reduz-se sim as probabilidades de erro sendo preventivo e estudioso, mas sempre haverá o inesperado. Tudo muito espontâneo...

Espontâneo é a palavra de 2009. Aquilo que se coloca de forma natural, livre e verdadeiro. Esse é o lado. Assim será 2009. Um encontro de última hora, uma cerveja depois do trabalho sem ter combinado, sair de férias agora para o exterior com a mulher só porque recebeu um folder do México ou Tahiti... assim espontâneo

Olhe para si mesmo e diga se viverá um ano que nasceu morto, triste e infeliz...depressivo...

Jamais não é verdade?

2009 será o melhor de todos os anos

Acredite e será

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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

A verdade nas eleições do meu Bahia


Por Eugênio Lacerda do http://www.ecbahia.com.br

Salvador - Confira nota divulgada pela Associação Bahia Livre sobre as eleições do Bahia:

"Três anos depois o Esporte Clube Bahia perdeu mais uma vez a grande oportunidade de realizar todas as mudanças necessárias para saísse do estado de coma a que foi colocado pelos mesmos continuaram no comando do clube.

No circo armado na sede de praia, com a autorização da justiça que, ao mesmo tempo em que faz mutirões para despachar processos que estão emperrados há anos, cassa uma liminar fundamentada pela Juíza Dra. Maria de Fátima da 2ª vara Cível nas imoralidades e ilegitimidade do conselho deliberativo, nas primeiras horas da manhã numa velocidade digna dos judiciários dos países escandinavos, nomearam o nome do filho do ex-presidente Marcelo Guimarães para substituir o Conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios, Paulo Maracajá, representado por um poste, ou pior, por Petrônio Barradas.

Um advogado que se travestiu e chegou a fazer ponto nas calçadas da oposição e, sem conseguir muita coisa, tirou a maquiagem, mostrou sua verdadeira cara e voltou para viver na casa da luz vermelha da situação, que vem agora posar de democrata e vítima da ditadura militar, ajudou na montagem da farsa de um colégio eleitoral que muito lembra os tempos da ditadura onde o Presidente da República era eleito apenas pelo congresso com seus senadores biônicos enquanto que os opositores àquele regime eram expulsos do País, torturados ou mortos (tal qual fazem com a lista de conselheiros).

Para fingir que nada será como antes, os mesmos incompetentes que destruíram o Bahia vão agora buscar nas hostes rivais soluções para sair da crise, num reconhecimento claro que entre eles não há sequer uma pessoa com um mínimo de competência para administrar o Esporte Clube Bahia.

Embora a boa parte da imprensa radiofônica queira imputar à oposição erros e derrotas na pantomima (algum benefício essa mesma imprensa deve ter para defender tão veementemente a continuidade e execrar qualquer possibilidade de mudança. O próprio Presidente da ABCD, Márcio Martins, chegou a fazer acusações a parte dos seus associadosde de recebimento de “jabá” por para falar bem do candidato da situação), quem perdeu na verdade foi toda a nação tricolor que vê as coisas continuarem como estão.

No circo tricolor o palhaço está triste, a bailarina já não dança e os trapézios sumiram. No picadeiro sob uma lona rota e esfarrapada, os senhores Paulo Maracajá e Marcelo Guimarães zombam da platéia que ainda espera por algum espetáculo digno da sua tradição sem se dar conta que a qualquer momento a lona despencará de vez e tudo deixará de existir".

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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Do cais de itaparica


Um olhar congelado no tempo na boca do cais de Itaparica. Quatro amigos, quatro sonhos, quatro destinos. O lá da ponta na América trepudiando do sonho americano. O segundo na paulicéia desvairada, segunda maior metrópole das américas, ele conseguiu levar a maresia de jaguaribe para lá ensinar capoeira pra paulista, o terceiro um eterno deportado, dizem que ele conheceu o outro lado e voltou, mas não soube contar como era, virou repentista nas ruas de paralelepipedo de Salvador para ganhar os seus trocados, o último se bandeou pro sul, come acarajé com chimarrão nos pampas e cozinha muquecas para delírios dos gaúchos, continua contando histórias e causando choque nos transeuntes!!!! Um dia eles irão se reencontrar, pode apostar!!!!!!!

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segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Felipe massa prestigia a muqueca


Eu não sabia que a minha muqueca era tão famosa e desejada. Convidei uns amigos para confraternizar a chegada do meu filho pedrinho, que chega em dezembro e olha só quem foi experimentar a muqueca de peixe e de camarão receita de dona Nilsa? Ele mesmo, felipe massa do Brasil, vice campeão da Formula 1 de 2008.
Fala Felipe!!!

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terça-feira, 4 de novembro de 2008

Muqueca de Fraldas


Não é novidade para ninguém os meus dois corações. Aos 21 anos de idade muito agitado, abusado e inquieto como sempre, me largeui para Porto Alegre para começar uma vida nova.

Porra!! São 14 anos no sul. Quase metade da minha vida. E o mais maravilhoso desta aventura toda foi conhecer esse povo, essa gente, essa história e vocês meus amigos gaúchos.
Claro que nunca sem deixar de amar a Bahia e o meu hoje pobre Bahia.

Agradeço a vocês por me receberem de braços abertos e ao Rio Grande do Sul por me presentear com essa família linda que construí. É hora de retrubuir com essa iguaria da minha terra. É hora de Muqueca!!! Ó paí ó!!!!

Vamos comer muqueca e comemorar a chegada de pedrinho.

Viva ao mundo sem fronteiras. É hora de ensinar o gaúcho a comer muqueca, porque esse baiano aqui não despreza um pedacinho de vazio ou uma costela, pode até ser de ovelha que eu não reclamo não.
Alguém vai no mate aí???

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terça-feira, 28 de outubro de 2008

Forget About It

Tudo é muito perfeito e ao mesmo tempo não é/ é meio mágico e muitas vezes é mesmo/ é também cômico, e porque não dizer dramático, mas é também enfim trágico/um filme de terror/ o caos generalizado/ a ordem desorganizada e a desorganização ordenada/ tudo tem lógica?
As pessoas em over doses ou em doses homeopáticas vivem e expressam sua loucura, o que é completamente comum... um transe coletivo/ Forget About It

Decidi tornar a coisa pessoal, desabafar e falar das pequenas coisas da vida. Hoje mesmo me senti muito inocente ao negociar com um jornalista para trabalhar comigo. Lembro de quando fui trabalhar em Novo Hamburgo. Viajava de ônibus todos os dias e não me pagavam transporte e nem refeição e eu estava ali todos os dias, aguentava tudo e todos porque na verdade eu enxergava onde estou hoje e acho que cheguei bem. Para mim naquela época o trabalho já me despertava paixão, apesar de aprender a gostar do que fazia ao invés de fazer somente o que eu gostava. Não há ninguém disposto a isso hoje...ou nunca houve...será que valeu a pena???? Hoje os caras me odeiam e ainda às vezes me pego me sentindo culpado por isso... a metáfora que utilizava na época era válida... eu trabalhava para Hitler e Mussolini, a erança genética dos imigrantes alemães e italianos ... que eles não se esqueçam disso ...

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segunda-feira, 25 de agosto de 2008

PutaHabilidade

PutaHabilidade tem as operadoras de telefonia de enganar o consumidor.

Eu adoraria uma economia livre neste país que permitisse a livre concorrência para mais opções deste serviço neste país, porque esta sócio-democracia criada por Fernando Henrique Cardoso e continuada por Lula está tornando o Brasil de Gerson no País da sacanagem. Com o oligopólio da telefonia somos dependentes dos governos para fiscalizar estes caras. É aí que estamos fudidos.

Alguém acredita no comercial da Mariana Ximenes com toda sua credibilidade emprestada à operadora Claro para falar de Portabilidade? Puta Habilidade de enganar, isso sim. Me baseio em experiências próprias e em conversas com muitas pessoas que vivem o mesmo problema. outro dia vi o ministro Tarso Genro comentando o sofrimento dele por que sua secretária não pagou a conta em dia. Pobre, ministro, mas humano, pelo menos demonstrou que vive nesse mundo.

Uma operadora consegue ser melhor no quesito pior que a outra no atendimento. E meu professor de CRM no MBA de marketing da FGV quer me convencer que esta porcaria de gestão do relacionamento funciona. Claro que funciona. Pede para ele instalar um call center numa fábrica brasileira de calçados, confecção ou de móveis para ver o que acontece com as vendas das empresas. Na telefonia e nos bancos não temos alternativas, temos que ser gerenciado por programas, sistemas foras do ar e máquinas para gerar lucro excessivo a estas empresas. não sou contra o lucro, mas acredito que deva haver um equilíbrio entre lucro e satisfação.

Infelizmente as empresas um dia aprenderão que o marketing se faz com boas experiências, de consumo e de serviço e não com imagens incoerentes com a verdade.

Alguém já tentou cancelar uma linha da Claro e foi atendido imediatamente? Alguém tentou resolver algum problema com a operadora de telefone nas lojas de "atendimento"? Quem já não teve contas com cobranças absurdas e erros que parecem ser irreversíveis? Em bancos isso já virou rotina.

Quem ao juizado de pequenas causas for, irá constatar quem são as empresas que mais sofrem processos.

Estou pagando para ver esta Portabilidade. Vou ligar amanhã para cancelar a minha linha da claro e ficar com o mesmo número e vou retornar aqui com o resultado.

Somos reféns de uma telefonia que começou no País com negócios escusos, privatizações privilegiadas e muitas falcatruas que impedem este país de ser digno e ter o estigma da vantagem agora institucionalizado por empresas de serviço nos fazendo sacanagem.

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segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Em busca da onda perfeita


Em busca da onda perfeita

Em 1964, o então cineasta Bruce Brown, com 28 anos na época, decidiu seguir dois surfistas californianos pelo mundo, em busca da onda perfeita. A jornada partiu de mares ao oeste da África, passando pelas ondas da Austrália até o Haiti. Com um orçamento de apenas US$ 50 mil e uma câmera 16mm, Brown capturou a essência do surf e imortalizou nas suas imagens o sonho de todo surfista: Viajar o mundo em busca da onda perfeita.

O documentário, produzido e dirigido por Brown, The Endless Summer, passou a ser cultuado por surfistas do mundo inteiro. Ele conseguiu traduzir a alma e o estilo de vida dos praticantes deste esporte, se tornando uma espécie de “Surf way of life” e transformando o surf em ícone de juventude e liberdade.

Em 1994 Brown repetiu a dose com The Endless Summer II. Nesta ocasião o filme contou com uma nova geração de surfistas profissionais. Robert “Wignut” Weaver e Patrick O’Connell circularam as melhores ondas do mundo repetindo o feito, só que com um orçamento bem maior explorando os picos mais famosos do planeta.

Esta paixão que move os surfistas em busca da onda perfeita, eternizada por Brown, serviu de inspiração até para roteiro de filme de aventura policial. Em 1991, o roteirista W. Peter Iliff, junto com o diretor Kathryn Bigelow, estrearam o filme Point Break, que na gíria do surf significa fundo de pedra. No Brasil Point Break recebeu o titulo de Caçadores de Emoção. No enredo, surfistas californianos assaltavam bancos para juntar grana com o objetivo de custear a viagem que os levariam a maior onda do mundo. Apesar de não representar a tribo do surf, com tipos surfistas marginais e estereotipados, o filme estrelado por keanu Reeves e Patrick Swayze, se baseou no sentimento que desperta surfistas na direção da grande jornada. Deixando de lado as questões da imagem dos surfistas, pode-se até considerar Caçadores de Emoção como uma espécie de Butch Cassidy do surf.

Em 2002 foi a vez do diretor brasileiro Arthur Fontes levar às telas, as aventuras de alguns dos melhores e mais importantes surfistas da atualidade no Brasil surfando as mais famosas ondas dos quatro continentes. O filme, Surf Adventure, inclui, de forma justa, Fernando de Noronha no mapa-mundi do surf.

O filme mais moderno com esta temática na atualidade é o Second Thoughts, produzido, dirigido e estrelado por Timmy Turner. Ele conta a expedição de Timmy e dois amigos durante um mês por ilhas desertas da Indonésia. A filmagem é revolucionária nos padrões de filmes de surf com a camera em posições nunca vistas.

Eu poderia citar aqui outros diversos filmes e documentários menos conhecidos do público e não menos importantes para o surf, mas que também foram fundamentais em despertar este sentimento por gerações. Estes filmes semearam de alguma forma a esperança em milhares de surfistas em todo o planeta, de tornar realidade o sonho de ganhar o mundo numa viagem com os amigos em busca da tão sonhada onda.

Com filmes assim instigando a cabeça da molecada, é fato que todo surfista, desde pequeno, tem em si guardado o sonho de ganhar o mundo numa viagem com os amigos em busca da onda perfeita. Um dia o sonho se torna realidade.

Oito amigos e um destino

Eu e um grupo de sete amigos dos tempos de surf na adolescência em Salvador, na Bahia, decidimos que tínhamos um encontro marcado com este sonho.

Em setembro deste ano, partimos para surfar no arquipélago de Mentawai, na Indonésia, localizado na costa oeste da ilha de Sumatra. Um lugar distante e mágico, onde julgamos estar as ondas mais perfeitas do mundo.

Separados por nossos caminhos, pela profissão, a distância e o tempo, nos reencontramos a maioria na faixa dos trinta e poucos anos, todos realizados profissionalmente e agora empenhados em resgatar o prazer da amizade e a alma do surf que sempre existiu dentro de nós.

Passamos um ano nos comunicando por e-mail para reunirmos a turma, organizarmos o tempo certo, a grana para comprarmos as pranchas e os equipamentos apropriados para a viagem, e alugarmos um barco só para nós em Sumatra, além de conciliar a disponibilidade de cada um. Nem todos daquela época puderam integrar-se ao grupo, mas já foi uma grande vitória reunir oito.

Entre os integrantes da trip, eu sou jornalista, Leo e Muki são engenheiros, Pereira é administrador, Fabinho e Marceleza são médicos, Gabriel é agente imobiliário e Harley é policial federal.

A iniciativa maior de reunir a galera partiu de meu compadre Leonardo Paes Leme, o Leo Esquisito. Leo é um amigo de muitos anos. Nos conhecemos nos campeonatos de surf do colégio Maristas, em Salvador. Depois o destino e as horas dedicadas ao surf nos fizeram fazer faculdade em Porto Alegre/RS, onde dividimos as despesas e as broncas da vida no sul em nossa república baiana. Ele fazia engenharia mecânica e eu Jornalismo. Ele voltou para a Bahia, onde hoje é engenheiro da Ford e eu fiquei no sul, onde moro a exatos 13 anos. Sou jornalista e administro uma assessoria de comunicação empresarial.

Em setembro de 2006 Leo veio a Porto Alegre para o aniversário de dois anos da minha filha Luíza, sua afilhada. Foi quando conversamos sobre o passado, reencontrar a turma e realizar a viagem dos sonhos: passar 11 dias num barco surfando as ondas perfeitas das ilhas de Mentawai com nossos amigos da Bahia.

Leo Esquisito
Nome: Leonardo Leme
Idade: 36 anos
Altura: 1,70
Peso: 80 kg
Profissão: Engenheiro Mecânico
Começou a surfar com 14 anos.


Aryzoto (eu)
Nome: Ary Dias Filgueiras Filho
Idade: 35 anos
Altura: 1,76m
Peso: 72 kg
Profissão: Jornalista e Empresário
Começou a surfar com 9 anos.

Logo que veio a idéia da viagem lembramos de André Pereira.

Conheço Pereira do colégio desde os 9 anos. Naquela época ele era apenas o irmão mais novo de sua irmã: uma unanimidade na escola. Depois participamos de uma excursão do colégio juntos e fomos ficando amigos gradativamente.

A primeira vez que viajei para o sul foi em 1992. Tinha 19 anos, pouca grana e o espírito do surf nas veias. Em minha primeira investida, fui de ônibus de Salvador a Santa Catarina com um único objetivo: pegar as ondas da Guarda do Embaú. Pereira, Quando soube da minha aventura, foi até minha casa me dar força para a viagem e carona até a rodoviária. Um ano depois ele me seguiu na jornada de ônibus. Ficamos um mês de férias na Guarda surfando juntos.

Pereira
Nome: André Pereira Sampaio
Idade: 34 anos
Altura: 1,76
Peso: 81kg
Profissão: Administrador
Começou a surfar com 13 anos

Foi também num ônibus que Pereira conheceu Esquisito. Era o ônibus da natação da escola, pilotado pelo memorável Tartaruga. Mais tarde veio a saber que o nome de Esquisto era Leo e que de fato o cara era mesmo esquisito.

Quando fui morar definitivamente em Porto Alegre eu e Pereira nos afastamos. Cada um no seu foco. Ainda assim mantínhamos contato por e-mail. Em uma de nossas férias conseguimos nos reencontrar na nostálgica Guarda do Embaú para curtir e reviver todas as belezas do sul, além de pegar onda juntos, é claro.

Este encontro rendeu histórias memoráveis com outros personagens da nossa galera. Nessa ocasião um brother da época do surf em Salvador também pintou na Guarda com Leo e surfamos todos juntos. Era Muki.

Muki
Nome: Mauricio Brayner Lima
Idade. 34 anos
Altura: 1,77m
Peso: 88kg
Profissão: Engenheiro Civil
Começou a surfar com 11 anos

Muki e sua família conheciam os pais de Leo Esquisito de outras épocas e eles se conhecem desde os oito anos, moraram e passaram a infância no mesmo prédio em Salvador. Na Guarda, Muki protagonizou um episódio inesquecível quando passou mal no restaurante da Bila. O mal estar não foi pela comida, o melhor PF (Prato Feito) do local, mas sim por caminhar o dia inteiro no sol e surfar no mar gelado sem roupa apropriada. Coisa de baiano. Desde então antes de cumprimenta-lo a galera, para ter certeza, sempre pergunta: “- E aí Muki, você ta legal?”

Não acreditamos quando Muki confirmou sua presença na viagem para Mentawai conosco. Outro que ficou feliz e se motivou com a possibilidade de Muki marcar presença na trip foi “Seu Puliça”.

“Seu Puliça”
Nome: Harley Costa
Idade: 33
Altura: 1,72m
Peso: 71kg
Profissão: Policial Rodoviário Federal
Começou a surfar com 12 anos

Harley, na infância, morava na rua de baixo da de Muki, e começou pegando onda deitado de body board junto com ele. Ninguém é perfeito. Logo Harley comprou uma prancha e Muki o seguiu. Harley se motivou quando ficou sabendo que nós estávamos indo para Mentawai e que Muki estava na trip. Quem lhe contou foi Fabinho.

Fabinho
Nome: Fábio Dutra
Idade: 32
Altura: 1,70m
Peso: 70kg
Profissão: Medico
Começou a surfar com 11 anos

Da turma do colégio São Paulo e de surf na praia do Sesc, Muki conheceu Fabinho, que hoje é seu padrinho de casamento. Fabinho foi convidado para a jornada de Mentawai por Leo Esquisito, e logo tratou de convidar Harley. Fabinho não podia deixar de convidar também para esta viagem seu melhor amigo de infância Marceleza.

Marceleza
Nome: Marcelo Liberato
Idade: 32
Altura: 1,70
Peso: 66kg
Profissão: Medico
Começou a surfar com 13 anos.

Marceleza conhecia Muki do colégio e também fazia parte da turma do body board, junto com Harley, mas sob influência de Fabinho se converteu ao surf por definitivo. Fabinho e Marceleza se conhecem desde os três anos de idade, foram colegas de colégio e cursaram a mesma faculdade de medicina. Seus pais têm casa na praia de Guarajuba, litoral Norte de Salvador. Leo Esquisito também tem casa lá, onde todos de alguma forma se encontravam.

Foi em Guarajuba que Fabinho conheceu os irmão Rafael e Gabriel Del’Isola. Rafael, por razões profissionais, desistiu da viagem no início e Gabriel, seu irmão mais novo, confirmou presença como o mascote da trip. E por não responder a quase nenhum dos e-mails de preparação e acertos da turma para a viagem, recebeu o apelido sugestivo de Lombardi.

Lombardi
Nome: Gabriel Del’Isola
Idade: 23
Altura: 1,83m
Peso: 80kg
Profissão: Estudante de Direito
Começou a surfar com 14 anos

Todos os integrantes desta viagem são contemporâneos do surf das décadas de 80 e 90 na praia do Sesc em Salvador, atual praia de Jaguaribe, no bairro de Piatã. Época que revelou surfistas como Armando Daltro, o Mandinho, campeão mundial do World Qualify Series (WQS), e o Big Rider casca grossa, Danio Couto, conhecido pela maioria do grupo nesta viagem.

MENTAWAI
Composto por 246 ilhas todas rodeadas por bancadas de coral e com mais de 200 milhas de costa para explorar, o arquipélago de Mentawai é um playground do surf mundial, uma espécie de disneylândia para surfistas. Durante a temporada de ondas (que vai de Abril a Outubro) a sua constância é impressionante.

Para chegar lá, saindo de São Paulo, são quatro dias de viagem trocando de aviões, passando por África do Sul e China, até chegar em Jakarta, capital da Indonésia. Depois pega-se um vôo de uma hora e quarenta minutos até a cidade de Padang, na ilha de Sumatra. De Padang são mais dez horas de barco até o arquipélago.

Diário de Bordo

12 de setembro de 2007 – quarta-feira

Indonésia - Terra que menino chora e mamãe não vem

No dia 12 de setembro deste ano, um dia antes do nosso embarque, uma notícia abalou o grupo. Um terremoto de magnitude 8,4 na escala Richter, matou mais de 20 pessoas na ilha de Sumatra. Milhares de casas foram destruídas e danificadas na região.

A Indonésia fica situada em um cinturão de intensa atividade sísmica conhecido como "Anel de Fogo do Pacífico". Em Dezembro de 2004 a área foi atingida por um forte terremoto que provocou um devastador tsunami no oceano Índico. Mais de 230 mil pessoas morreram na região, entre elas 170 mil indonésios.

Quando soubemos do ocorrido, ligamos imediatamente para o nosso fotógrafo guia, que nos aguardava com o nosso barco na cidade de Padang, em Sumatra: o despachado Felipe Oliveira.

Felipe Oliveira é um fotógrafo gaúcho que viaja o mundo. Especialista em fotos de surf ele conhece a Indonésia como ninguém. Já fez diversas viagens para as Mentawais e conhece os melhores picos da região, inclusive secret points. Ele também tem negócios com “boat trips” da indonésia, agregando seu serviço de fotografo profissional nos barcos. O site do Felipe é www.felipeoliveira.com.br

Felipe nos tranqüilizou quanto aos terremotos e nos deu sinal verde para seguirmos viagem. Do mesmo jeito, não adiantava chorar. Depois de tanta espera e organização das possibilidades de cada um, não dava para voltar atrás agora.

Partimos do Brasil no dia 13 de setembro, quinta-feira, com estimativa de chegar em Mentawai dia 17, segunda-feira.

13 de setembro de 2007 – quinta-feira

More Wine

Nos encontramos todos em São Paulo para o check-In do vôo das 22h30 para Johanesburg, África do Sul. Foi aquela energia todos estarem ali e juntos para a viagem. Tomamos umas cervejas, colocamos a conversa em dia e partimos.

No vôo longo de 10h, o primeiro episódio engraçado. Depois de tomar umas garrafas de vinho sozinho, Leo foi chamado a atenção pelo comissário sul africano para falar baixo. O comissário, falava palavras de ordem com firmeza. Não importava o que ele dissesse, a única frase de Leo à aquela altura era: “- More wine”. O gringo acabava atendendo-o para mantê-lo calado. “- Red or White sir?” “- More wine.”

14 de setembro de 2007 – sexta-feira

Chegamos em Johanesburg ao meio dia e na sala de embarque tomamos cerveja sul africana num café com vista panorâmica para a pista de aviões. Às 16h partiu nosso vôo para Hong Kong. Mais dez horas de vôo. “- More Wine”

15 de setembro de 2007 – Sabado

Todo sonho tem o seu preço

Chegamos em Hong Kong às 12h15. Mais algumas cervejas no aeroporto e embarcamos às 16h no vôo para Jakarta, capital da Indonésia. Foram mais quatro horas de vôo. Imaginem o estado de Leo.

Chegamos em Jakarta às 19h45 e o transfer do hotel já nos esperava. Dormiríamos em Jakarta, já que o vôo para Padang era no dia seguinte, na madrugada.

Ao chegarmos no hotel, Fabinho foi para a internet e entrou em pânico, assustado com novas notícias que vinham do Brasil sobre os terremotos e alertas de tsunami na ilha de Sumatra.

Segundo ele, um tsunami havia atingido as ilhas Mentawai, onde alguns surfistas brasileiros estavam. Havia também a previsão de um enorme swell de ondas que pegaríamos pela frente: “Thunder Storm”. Fabinho decidiu não seguir viagem e voltar de Jakarta para o Brasil.

Muki, companheiro de quarto de Fabinho, preocupado com a decisão do cara, ligou para o quarto de Marceleza pedindo ajuda em convence-lo a ficar. Fabinho se acalmou com as palavras dos amigos de infância e voltou atrás na sua decisão.

Era o primeiro a enfrentar seus limites na viagem. Todo sonho tem o seu preço.

16 de setembro de 2007 – domingo

Sembillan é o nosso número da sorte

Embarcamos para Padang onde Felipe nos esperava com duas vans para nos levar até um lounge de hotel. Descansamos por algumas horas e depois fomos almoçar.

A cidade estava vazia. As pessoas estavam fugindo para as montanhas com medo de um Tsunami. Felipe nos contou que na noite passada a terra havia tremido por alguns minutos. Na Indonésia o tremor de terra é algo normal, já que ocorrem sete mil por ano. Para nós era algo assustador.

A noite conhecemos Ivan, um espanhol das ilhas canárias que fala fluentemente indonês e que nos acompanharia como guia da trip. Comemos uma pizza e fomo para o porto pegar o Sembillan, nosso barco. Embarcamos às 21h. Sembillan em indonês significa: nove. Alguma semelhança com o mês nove era mera coincidência.
Sembillan é o nosso numero da sorte.

Como tínhamos um grande swell de ondas anunciado pela frente, e o as ondulações na Indonésia entram de sul, iniciamos a navegação às 22h em direção ao norte das ilhas Mentawai para uma viagem de 11 dias surfando as melhores ondas do arquipélago em direção sul, ao encontro do swell.

Nomes como Rifles, Lances Left, Playgrounds, Thunders, E-bay, Pitstops e Macarronis eram lendários para nós até o momento. Agora era encarar a lenda de frente e rejuvenescer o espírito daqueles garotos que surfavam na praia do Sesc em Salvador, sonhando um dia estar ali.

17 de setembro de 2007 – segunda-feira

O Sonho Começa aqui

Chegamos às 9h da manhã na ilha de Siberut, conhecida como Playground, uma imensa baía com diversos picos de onda para surfar. De cara vimos as ondas de Rifles, uma direita que conhecíamos muito de filmes e das revistas de surf. Só que para nossa surpresa já haviam cinco barcos de surfistas lá.

Não nos desanimamos e decidimos ir para Four Bobs, uma outra direita, que quebra fácil. Ótima para iniciarmos nossa trip e nos acostumarmos com um mar ainda desconhecido para nós. Tiramos as pranchas das capas e nos preparamos para o primeiro banho. Quase todos de botinha de neoprene e camisa de lycra para se proteger de eventuais batidas nos corais afiados, muito protetor solar e preparo físico. Caímos sozinhos no pico. O sol logo subiu e deu cor e forma às ondas extensas e perfeitas de Four Bobs. O sonho começa aqui.

Mais tarde tivemos a companhia de surfistas espanhóis das ilhas canárias e de dois californianos. Os espanhóis vinham num barco guiado pelo pai de Ivan e nos acompanharia no trajeto durante os próximos dias. Eles já estavam no seu quinto dia de viagem e comentaram que só agora começaram a rolar as ondas. Estávamos com sorte.

Em Four Bobs, Gabriel cortou um pouco os dedos ao furar as ondas numa bancada rasa. Era o primeiro a se machucar na trip. No barco havia limão para passar nos cortes e Betadine, um remédio chinês para cicatrização composto de iodo e ervas chinesas.

Surfamos o dia todo extasiados com a beleza das ondas e do lugar. Devia estar quebrando uns dois metros de onda nas séries maiores. Ao chegarmos no barco, após o primeiro banho, a tripulação já nos esperava com um lanche reforçado. Almoçamos hambúrguer caseiro com salada.

As três refeições dos dias no barco sempre eram muito balanceadas, com frutas, cereais, proteínas e carboidrato. As duas geladeiras eram abastecidas constantemente com sucos de caxinha de quatro sabores, refrigerantes, cervejas (Bitangs) e chocolates em barra de dois tipos.

Depois de curtirmos Four Bobs o dia inteiro, fomos dormir cedo com o barco ancorado num lugar seguro.

18 de setembro de 2007 – terça-feira

“If you paddle, go. If you don’t go, don’t paddle”

Logo pela manhã um sol maravilhoso e seguimos mais ao norte de Playground para surfar a onda de Beng-Beng. Ao chegarmos lá, pela visão do barco, vendo por trás, parecia que não tinha onda. Quando entramos na água uma agradável surpresa. Esquerdas de um metro e meio a três metros quebrando perfeitas nos corais.

Surfamos sozinhos um mar muito perfeito. Todos se deram bem nas ondas. Felipe registrou tudo da praia e do “dinghy” - o barquinho de apoio que nos deixava na arrebentação.

Depois do almoço fomos ancorar mais ao sul na baía de E-bay, uma outra onda para a esquerda que quebra numa bancada de coral muito rasa. Tinha um metro e meio de onda forte e tubular lá.

Leo e Fabinho tiraram os primeiros tubos da trip. A remada em E-bay era muito arriscada, já que a onda era rápida, a maré estava seca e não permitia erros. Cair no drop da onda era alta probabilidade de bater nos corais.

Ao subir uma das séries de ondas, Leo remou e decidiu no meio da remada não ir. Um californiano que remou junto com ele saiu indignado com essa frase: “- if you padle, go. If you don’t go, don’t padle”.

Esta frase poderia ser uma intimação aos limites de Leo, mas a sabedoria ia além. A indecisão pode custar muito caro em Mentawai. Pereira provou a fórmula. Ao remar para uma onda perigosa, decidiu no último instante não ir. Foi aí que viu sua prancha ser sugada pelo vácuo da onda e esticar sua cordinha até arrebentar. A prancha foi parar em cima dos corais. Pereira foi resgatado pelo dinghy.

Pedi a Lee, o piloto do dinghy, que me levasse para Pitstops, uma direita que quebra logo depois de E-bay. Harley foi junto comigo. Surfamos com uns australianos que estavam lá, enquanto Pereira voltava ao barco para depois resgatar sua prancha.

A noite eu Fabinho, Marcelo, Gabriel e Felipe fomos até a ilha mais próxima da baía, onde ancoramos no resort de No kandui. Este é também o nome de uma esquerda perfeita que quebra na frente do resort. Lá iríamos usar a internet, obter informações sobre as ondas, a tal thunder storm que viria pela frente, os terremotos e enviar notícias aos familiares de todos.

Atracamos o dinghy na ilha e cumprimos a missão. As previsões tinham mudado e não havia mais ameaça de tsunami. No entanto o swell estaria baixando e só voltaria a subir em nossos últimos dois dias nas ilhas. Voltamos para o barco e fomos dormir mais tranqüilos.

19 de setembro de 2007 – quarta-feira

Coral pega geral

A galera me acordou fazendo algazarra, afinal era meu aniversário de 35 anos. O Sembillan seguiu para Beng-Beng novamente. O mar continuava hipnotizador, só que um pouco maior. Marcelo sentiu uma luxação no ombro, decidiu descansar e se recuperar para encarar os próximos dias.

Desci uma das maiores ondas do dia, caí e bati forte as costas nos corais. Fiquei um pouco assustado pois não sabia a gravidade do corte. A galera me tranqüilizou. Havia sido superficial. Foi só o susto com o barulho do impacto embaixo d’água. Nada grave. Ufa!!!

A tarde fomos para E-bay e Gabriel passou o maior sufoco também na bancada rasa se ralando todo. Ele foi arremessado no coral pelas ondas que arrancaram uma de suas botas. Gabriel cortou o pé, a canela e as mãos. As ondas são perfeitas mas não dá para descuidar com os corais. Um erro e pode ser muito perigoso.

Eu, Muki e Harley fomos surfar em Pitstops. Uns australianos estavam no mar e logo depois saíram. Já era final de tarde quando entrou uma série de ondas ao fundo. Ao remar para passar a série, percebi que estava numa parte sem profundidade nenhuma, e a onda estava a uns cinco metros de mim. Me segurei firme na prancha e esperei o volume da espuma bater. A espuma me levantou e me jogou para cima me esfregando nos corais. Tive só uns arranhões nas mãos. Pensei meu Deus, que presente de aniversário? Felipe, Fabinho, Marcelo e Gabriel estavam na areia e viram tudo apreensivos. Remei para a ilha e saí na areia. Em Pitstops tem bancada de coral mas a onda acaba na areia. Harley também saiu do mar e Muki ficou pegando umas ondas.

Depois todos voltamos ao barco e o capitão seguiu na direção sul para a ilha de Sipura onde passaríamos a noite em Telescopes.

20 de setembro de 2007 – quinta-feira

“- Minha mãe, estou em Telescopes”

Acordamos em Telescopes e não acreditamos no que vimos na frente do barco. Umas esquerdas de uns quatro metros, as maiores, quebrando perfeitas na bancada, há um quilômetro da baía onde ficavam os barcos. Hoje também foi o dia em que todos falaram com seus familiares. Em Telescopes havia sinal de celular.

Parece mentira, mas o título acima reproduz a conversa de Leo com sua mãe ao telefone: “- Minha mãe, estou em Telescopes.” Só faltou ele dizer com que tamanho de prancha ia cair, e a mãe responder que ele deveria usar a maior por segurança.

Com certeza tia Sônia (como carinhosamente chamamos a mãe de Leo há muitos anos), não sabia do que se tratava a conversa do filho. Ele devia estar bêbado, delirando, ou era o fuso, ou a comida muito condimentada. Não tia Sônia, era Telescopes.

Já no mar, nos posicionamos próximos às ondas e fomos todos para a arrebentação. Havia um crowd como ainda não tínhamos visto. Mais de 30 pessoas no mar remando para o pico e as ondas quebrando grandes e perfeitas sem parar.

Era uma imagem de filme e ao mesmo tempo uma sensação de tensão no ar. Todo mundo remando e muito atento para aquelas ondas. Algo hipnotizador e assustador. Uma onda rápida e como não podia deixar de ser em Mentawai, muito rasa. Harley e Felipe se cortaram nos corais.

No mar encontramos todos os atores coadjuvantes da Trip. Surfistas de diversas partes do mundo que buscavam ali o mesmo sonho que nós. Os australianos, os californianos, os espanhóis das ilhas canárias e também os do Pais Basco (nova galera), dominavam o pico. Fabinho pegou boas ondas. Muki, Gabriel e Pereira botaram seus primeiros tubos na trip e ficaram extasiados de felicidade. Eu, Marcelo e Leo, apesar de surfar aquela onda maravilhosa, não tínhamos nos encontrado ali. Acho que a emoção tomou conta.

Encontramos sim um conhecido nosso do colégio maristas de Salvador, Bruno Veiga, que estava na Indonésia desde maio. Bruno visitou o barco da galera à noite para uma seção de chumi-chumi (lula em indonês). Era o prato da janta. Na madrugada ouvimos a terra tremer. Um terremoto rachou a pista de pouso do vilarejo na ilha de Sipura e nos deixou muito preocupados.

21 de setembro de 2007 – sexta-feira

Terimakasi

Acordamos em Telescopes e as esquerdas continuavam quebrando. Quase todos caímos no mar e pegamos altas ondas. A tarde decidimos seguir o barco para mais ao sul de Sipura para surfar Lances Left. Quatro horas de viagem ao sol de Mentawai. Com marolas grandes em alto mar o barco batia e balançava muito.

Chegando em Lances Left nos deparamos com um mar muito grande e perigoso. Só Muki, Leo e Felipe caíram e pegaram aquelas ondas. Do outro lado da ilha fica Lances Rigth, a famosa direita também chamada de Hollow Trees, mas segundo Ivan e Felipe, as condições estavam muito ruins para ir até lá.

Jantamos chumi-chumi mais uma vez, jogamos dominó e tomamos varias Bitangs. Foi um dia de paz e tranqüilidade. Todos nós agradecemos estar ali. Obrigado em Indonês é Terimakasi.

Em nossa programação sairíamos na madrugada numa viagem longa até Macarronis, a onda considerada pelas revistas de surf como a mais perfeita de Mentawai. No meio do caminho ainda iríamos conferir Bate Cave, uma direita que quebra na frente de uma caverna cheia de morcegos.

22 de setembro de 2007 – sábado

A terra tremeu e o coral mudou de cor

Na saída para o mar, na madrugada, o barco bateu muito, e quando nos demos conta ele estava de volta na baía, de onde saímos.

Segundo Felipe, na saída do barco, o casco rachou e estava entrando muita água. O Sembillan precisaria de um reparo para sair com segurança. Ivan nos contou que era só uma peça e que o barco do pai dele viria de Macaronis para nos socorrer.

Passamos a manhã acompanhando a evolução do concerto. A tarde fomos surfar novamente em Lances.

O mar estava melhor para o surf, mas não tubular como sempre víamos Lances nas revistas e nos filmes de surf. Encontramos uns cariocas na arrebentação. Eles vinham do sul e nos contaram que Macaronis estava grande e perigoso. Confirmaram a história de que o coral teria mudado com o último terremoto e subido pouco mais de meio metro. Um deles chegou a comentar que um australiano havia quebrado a cara no coral e foi levado de helicóptero para Singapura, o único hospital mais próximo.

Todos voltaram para o barco e eu fiquei surfando sozinho em Lances até escurecer. Esse lugar é o paraíso perdido.

23 de setembro de 2007 – domingo

Surfa mais quem se diverte

Acordamos na madruga, pois percebemos que o barco não havia saído da baía. Indignados com a falta de informação sobre a real situação do barco, nos reunimos e decidimos colocar Ivan e o Capitão na parede frente a frente para nos esclarecer sobre a situação.

Explicamos para eles que só queríamos saber a verdade e que se era pela segurança do barco era melhor esperar. Foi aí que decidimos explorar a ilha em nossa frente. Fomos todos no dinghy, menos Pereira, que ficou no barco.

Após tudo resolvido, seguimos para ilha de Selatan surfar em Bat Cave e Macarronis, onde provavelmente terminaríamos o dia. Em Bat Cave o mar estava baixo com um vento sudeste muito forte, então decidimos seguir de uma vez para Macaronis.

Chegamos em Macaronis e ficamos decepcionados. O mar havia baixado, estava pequeno e o mesmo vento sudeste prejudicava ainda mais as formações das ondas. Pensamos ter chegado atrasado por causa da avaria no barco. Mesmo assim entramos no mar e nos divertimos muito. Surfa mais quem se diverte.

Leo e Marcelo se cortaram nos corais afiados de Macaronis. O corte de Marcelo foi fundo, mas não precisou levar ponto. Dormimos em Macaronis.

24 de setembro de 2007 – segunda-feira

Se não tem onda, vá para Thunders

Acordamos em Macaronis e as condições do vento e do mar permaneciam ruins, então decidimos seguir para mais ao sul e surfar a onda de Thunders, que sempre está maior que todas as outras. Se não tem onda, vá para thunders. Lá sempre tem. Então fomos.

Viajamos por duas horas para o sul. Esta época já anuncia a temporada dos ventos em Mentawai. Passamos pelas ondas sinistras de Rags Rigth e Rags Left. Em Thunders o mar estava realmente grande para nós, uns 8 pés de onda grossa e volumosa. Uns quatro metros de uma onda forte, rasa e perigosa. Ainda mais com a maré vazia.

Do barco víamos o coral exposto na ilha em frente às ondas. Caíram no mar, Leo, Fabinho e Gabriel. Os demais acompanharam Felipe no dinghy até a ilha para ver os corais de perto e ficar de frente para as ondas. De lá vimos Gabriel cair numa onda e ficar muito próximo do coral exposto. Todos gritavam e ficavam apreensivos para que ele saísse dali. Gabriel encarou duas ondas de frente para a bancada muito rasa, e por muito pouco não foi parar nos corais expostos. Se isso acontecesse ele ia se machucar muito, pois os corais de Thunders eram umas valas em que as ondas batiam e formavam redemoinhos com uma forte correnteza.

Passado o susto de Gabriel, foi a vez de Fabinho. Ao furar uma onda da série ele largou a prancha e a cordinha partiu. Sua sorte foi que um australiano vinha atrás dele e remou para pegar a prancha enquanto o dinghy do barco gringo, que estava no canal tirando umas fotos, avançou na zona de impacto e resgatou Fabinho. Mas um susto. A noite mais partidas de dominó, Bitang e muitas risadas com os episódios do dia. Ufa!!

Dormimos em Thunders e na madrugada acordamos com o barulho do terremoto que chegou a mexer a âncora do barco. O Capitão apreensivo, levantou a ancora e levou o barco mais para o fundo. Cheguei a sonhar com tsunami.

25 de setembro de 2007 – terça-feira

“O limite do homem é até onde ele consegue enxergar seu horizonte”

Acordamos em Thunders e em virtude dos acontecidos com Fabinho e Gabriel ninguém quis surfar. Então sugerimos seguir para Rags Left no caminho de volta para o Norte até voltar para Padang, nosso porto de partida.

Felipe nos alertou que Rags Left era uma onda muito casca grossa. Mesmo assim seguimos para lá. Em Rags Pereira caiu no mar junto com Ivan e Muki. Em seguida eu e Harley os acompanhamos. O Mar estava muito casca grossa mesmo, uma onda volumosa e muito perigosa na bancada, além de um vento terral muito forte que impedia o drop seguro. Na hora de descer a onda o vento jogava muita água na cara o que impedia a visão da parede da onda.

Decidimos voltar para o barco. “O limite do homem é até onde ele consegue enxergar seu horizonte”.

Os saldos nestes últimos dias não tinham sido bons, então pressionamos Ivan para nos levar a um secret point onde pudesse segurar aquele vento. Foi aí que ele decidiu nos revelar Malakopa.

Na Indonésia é assim. As mudanças de sentimentos ocorrem na mesma velocidade do tempo. Hora é sol, hora é chuva, hora mar calmo, hora tempestade, hora onda grande, hora onda pequena, hora temor, hora satisfação.

Em Malakopa encontramos um mar clássico. Totalmente liso e uma onda de uns dois a três metros e meio quebrando para a direita numa bancada não muito rasa. Sem dúvida a onda mais perfeita que pegamos em Mentawai. Todos surfaram muito. Tinham três barcos lá, um dos espanhóis do país basco, que encontramos em Telescopes, uns uruguaios e uns hawaianos.

Apesar de algumas discussões no mar pelas ondas, acabamos nos entendendo no pico. Eu peguei quatro tubos no primeiro banho pela manhã. Fiquei extasiado com aquela direita. Surfei até cansar. Pereira se sentia o local do pico descendo as ondas lá de trás. Fabinho explorava todas as capacidades de manobras. Muki desenhava as ondas com seu estilo leve e fluído. Gabriel aplicava Grab Rail nas ondas tubulares que ele descia de costas. Marcelo aplicava rasgadas constantes em toda a extensão da onda. Harley pegava uma atrás da outra e Leo treinava de back side batidas e rasgadas.

Decidimos então, é claro, passar a noite ali e só fazer o caminho de volta para Macarronis no dia seguinte. De Macarronis partiríamos direto para Padang, quando encerraríamos a viagem.

26 de setembro de 2007 – quarta-feira

Acordamos em Malakopas e fomos surfar logo cedo. Estavam no mar os Uruguaios um deles era um coroa cabeludo que apelidamos de Conan. Ele surfava com seus três filhos. Tinham também uns americanos do Hawai, da ilha de Maui, o espanhol do pais basco que apelidamos de raulzito por se parecer muito com Raul Seixas.

Às 10h seguimos em direção a Macarronis e as condições permaneciam as mesmas de antes. Mar pequeno, porém muito divertido. Caíram no mar Pereira, Marcelo, Leo, Muki e Harley. Eu, Fabinho e Gabriel ficamos no barco arrumando as coisas para a volta. Às 16h o barco partiu para Padang, foram 14h de viagem.

27 de setembro de 2007 – quinta-feira

O sonho não acabou

Acordamos em Padang e ficamos um pouco ainda no barco descansando até a hora de sair para o aeroporto. Pegamos um vôo para Jakarta às 13h e de Jakarta voamos para Denpasar em Bali.

No aeroporto de Bali o transfer do hotel nos esperava. Roy, the boy, era o agente que nos conduziu até o Resort na praia de Uluwatu.

Quando pensávamos que a adrenalina tinha acabado nos deparamos com o trânsito muito louco e perigoso nas ruas de Bali, e ao chegar no hotel, revista para ver se havia bomba embaixo dos carros. Bali foi atingida por um atentado terrorista em 2004 que deixou varios jovens mortos.

28 de setembro de 2007 – sexta-feira

O Resort que ficamos era em cima das falésias da praia de Uluwatu. Ulu, como é carinhosamente chamada é a onda mais famosa da Indonésia e também conhecida como a onda das mil faces. Conforme a maré vai baixando, a onda vai mudando de bancada, cada vez mais longa e tubular.

Nossa visão para as ondas era de cima. Para chegar na praia era preciso descer umas escadarias até uma caverna mágica.

Quando a maré está cheia só é possível chegar na praia remando pela caverna até às ondas. Com a maré vazia é só caminhar até a praia. Marcelo, Fabinho, Muki e Harley desceram para surfar a lendária onda. Eu, Pereira, Gabriel e Leo, fomos até lá conferir o visual do pico, mas preferimos ir a Kuta fazer compras para os familiares.

Em Bali vale a pena fazer compras. É uma diversão negociar com os balineses. Há uma lenda de que se ele não fechar negócio contigo terá má sorte. Diversão a parte. Have a gool luck.

A noite fomos ao centro de Bali tomar umas bitangs e relembrar os momentos da viagem no barco que já deixara muitas saudades. Fomos ao Skygarden, um Resto Bar de três andares com umas saladas e uns sanduíches maravilhosos. No andar de cima uma balada forte.

29 de setembro de 2007 – sabado

Acordamos e aproveitamos tudo o que o hotel tinha de bom. A tarde todos seguiram para Kuta afim de realizar as ultimas compras. Voltamos para o hotel e nos preparamos para a viagem de volta.

Foram 17 dias de convivência diária, de relembrar as melhores e as piores coisas um do outro. De resgatar a amizade e saber que fizemos isso porque ela existe e não pode morrer. Realizamos um sonho que não se acaba aqui. Esta galera, mesmo que seja com os filhos, se reencontrará de novo para uma próxima viagem.

De tudo ficaram três coisas: “A certeza de que estávamos sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seríamos sempre interrompidos antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo, da queda um passo de dança, do sono uma ponte e da procura, um encontro.”

Nossa homenagem a Fernando Sabino – O encontro marcado

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